Climate Week NYC 2026: o que muda para os negócios


Realizada entre 20 e 27 de setembro, a Climate Week NYC 2026 chegou ao fim. Durante a semana, centenas de eventos por toda a cidade reuniram empresas, governos, investidores e organizações em torno de temas como financiamento climático, energia, cadeias de valor, natureza, tecnologia e competitividade. Mas uma mensagem atravessou os debates em Nova York: o desafio da agenda climática não é mais apenas estabelecer compromissos. Nessa nova fase, é preciso criar as condições para colocá-los em prática.
Essa mudança de foco traz consequências importantes para as empresas. Mais do que nunca, metas climáticas e ambientais precisam estar conectadas a projetos, investimentos, operações e decisões de negócio. A GSS acompanhou as discussões em Nova York, representada pelo Sócio-Diretor, Paulo Zanardi Jr., que participou de diferentes encontros sobre financiamento climático, Soluções Baseadas na Natureza e caminhos para mobilizar capital. Neste conteúdo, destacamos tendências que ganharam força durante a semana e que devem continuar orientando a agenda empresarial até a COP31, em novembro.
Projetos precisam estar prontos para receber capital
Como transformar recursos disponíveis e compromissos climáticos em projetos capazes de sair do papel? Essa foi uma das principais discussões da Climate Week. Diferentes encontros, especialmente os relacionados à natureza, destacaram que o desafio não está apenas na existência de soluções ou de capital, mas na capacidade de conectar os dois por meio de projetos estruturados e condições adequadas de investimento.
Nesse movimento, a bancabilidade ganha importância. Projetos climáticos e de natureza precisam apresentar estrutura financeira, governança, métricas, mecanismos de redução de riscos e clareza sobre os resultados esperados. Dessa forma, instrumentos como blended finance, garantias e capital catalítico ganham relevância para reduzir riscos e criar condições para a participação do capital privado.
Para as empresas, o ponto de atenção é que sustentabilidade e clima precisam ser traduzidos em projetos estruturados, com dados e mecanismos capazes de demonstrar sua viabilidade e seus resultados.
Integridade como condição para escalar mercados de carbono e NbS
Os mercados de carbono e as Soluções Baseadas na Natureza (NbS) também estiveram entre os temas que ganharam destaque durante a Climate Week. Além do potencial dessas soluções, o debate se concentrou em questões como implementação, métricas, monitoramento, transparência, permanência e capacidade de demonstrar resultados. A qualidade da informação é um elemento central para um mercado que busca ampliar escala. Sistemas robustos de Monitoramento, Relato e Verificação (MRV) ajudam a demonstrar resultados, reduzir riscos e dar maior segurança a investidores e compradores.
O mesmo vale para projetos de natureza. Durante a Climate Week, as discussões mostraram que a ampliação do financiamento depende de uma combinação entre projetos investíveis, evidências de impacto, estruturas financeiras e mecanismos capazes de reduzir riscos. Para a GSS, essa agenda se conecta ao desenvolvimento e à estruturação de projetos de carbono, à comercialização de créditos e à gestão de dados e transparência por meio de nossas soluções.
Biodiversidade na gestão de riscos e nas decisões financeiras
A biodiversidade deixou de ser uma pauta restrita à área ambiental e passou a ocupar espaço nas discussões sobre riscos, dependências, cadeias de valor e finanças. O Marco Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal, especialmente sua Meta 15, estabelece uma direção para que empresas e instituições financeiras monitorem, avaliem e divulguem riscos, dependências e impactos relacionados à biodiversidade. A implementação, porém, depende de medidas adotadas em cada país.
Esse movimento é relevante porque a natureza está diretamente ligada à operação de diversos setores. Água, solo, florestas, polinização e outros serviços ecossistêmicos podem afetar a disponibilidade de insumos, a continuidade das operações e a resiliência das cadeias de suprimentos. Dados divulgados pelo CDP durante a Climate Week reforçaram essa dimensão financeira: empresas analisadas estimam impactos futuros de cerca de US$ 397 bilhões relacionados a desafios hídricos, incluindo situações como secas capazes de interromper rotas comerciais críticas.
Para as empresas, isso significa ampliar a capacidade de identificar onde o negócio depende da natureza, quais impactos gera e como essas relações podem representar riscos ou oportunidades. Nesse contexto, ferramentas como o TNFD ganham relevância ao apoiar empresas na identificação, avaliação e divulgação de questões relacionadas à natureza. A GSS atua nessa agenda, incluindo avaliações de riscos e dependências e a aplicação da metodologia LEAP.
A agenda de biodiversidade também se conecta a aspectos regulatórios específicos, como o acesso ao patrimônio genético e a repartição de benefícios. Nesse campo, a experiência da GSS com a Lei nº 13.123/2015, o SisGen permite apoiar empresas na gestão desses processos e na rastreabilidade das cadeias relacionadas ao uso da biodiversidade.
Cadeias de valor no centro da transição
Outro ponto reforçado em Nova York foi a necessidade de olhar para além das operações diretas das empresas. A transição climática depende cada vez mais das cadeias de valor, incluindo fornecedores, matérias-primas, logística e processos produtivos. A descarbonização das emissões indiretas, especialmente do Escopo 3, continua sendo um dos desafios mais complexos para grandes empresas. Isso envolve desde a disponibilidade de dados sobre fornecedores até mudanças em matérias-primas, processos produtivos e modelos de contratação.
Ao mesmo tempo, a resiliência das cadeias depende da capacidade de integrar pequenas e médias empresas, desenvolver fornecedores e criar condições para que soluções sustentáveis sejam adotadas em diferentes pontos da cadeia. Nesse cenário, temas como agricultura regenerativa, bioeconomia, bioprospecção e sourcing responsável ganham importância não apenas ambiental, mas também estratégica. A identificação de novos ingredientes e matérias-primas, por exemplo, pode contribuir para a diversificação de fornecedores e o desenvolvimento de novos negócios, desde que acompanhada de critérios de rastreabilidade, conformidade e repartição de benefícios.
O que fica para as empresas depois da Climate Week?
A principal mensagem da Climate Week NYC 2026 não foi a criação de uma nova agenda, mas o avanço de uma agenda já conhecida para uma etapa mais operacional. Financiamento precisa encontrar projetos estruturados. Mercados de carbono e natureza precisam demonstrar resultados. A biodiversidade precisa entrar na gestão de riscos e dependências. E as metas climáticas precisam alcançar as cadeias de valor.
Esse movimento também prepara o terreno para a COP31, que será realizada em Antalya, na Turquia, em novembro. Depois dos debates de Nova York, questões como financiamento climático, implementação, transição energética, resiliência e integração entre clima e natureza devem continuar no centro das discussões internacionais.
Para as empresas, acompanhar essa evolução significa mais do que monitorar novas regulamentações. Significa entender como mudanças na agenda climática e de biodiversidade podem afetar acesso a capital, cadeias de suprimentos, ativos, mercados e oportunidades de negócio.
A GSS acompanha essas transformações e atua na conexão entre sustentabilidade, regulação, finanças e estratégia empresarial, ajudando organizações a transformar desafios ambientais em decisões mais estruturadas e oportunidades de longo prazo.



Comentários