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Desdobramentos da COP30: acordos, aprendizados e próximos passos

  • Foto do escritor: GSS
    GSS
  • 10 de dez.
  • 4 min de leitura
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A COP30, realizada em Belém, foi um marco político e prático para a agenda climática; especialmente por trazer a Amazônia ao centro das discussões e articular clima, biodiversidade e desenvolvimento econômico de forma inédita. Neste texto, reunimos os principais aprendizados trazidos pelo bate-papo GSS “Desdobramentos da COP30 - acordos, aprendizados e próximos passos”, com recomendações práticas para empresas que querem transformar decisões internacionais em estratégias de negócio. 


O resultado político e o novo impulso para a pauta brasileira

A realização da COP30 na Amazônia reforçou o protagonismo brasileiro nas negociações, entregando um documento final e demonstrando capacidade diplomática. Mesmo sem atender a todas as expectativas, a conferência abriu caminho para debates que continuarão na COP31. Esse ganho político trouxe também muita atenção pública ao tema clima, ampliando o engajamento social e institucional. 


Bioeconomia: do discurso à viabilização financeira

Um dos grandes destaques da COP30 foi a promoção da bioeconomia como solução central, não apenas como pauta ambiental, mas como oportunidade econômica que necessariamente envolve comunidades locais. Bernardo Szvarça comentou:


“A gente teve um passo que o governo brasileiro deu, durante a Copa, que foi o lançamento do quarto leilão do EcoInvest, que vai ser focado em bioeconomia. [...] Ele é importante porque conecta a questão de bioeconomia aqui no Brasil, é uma estratégia de blended finance do governo brasileiro, ou seja, os bancos vão conseguir acessar recursos do Tesouro Nacional para financiar projetos em bioeconomia, e a maior parte desses projetos terão que ocorrer na Amazônia Legal, que é a parte da Amazônia brasileira. Isso é bastante importante e abre várias possibilidades, tanto para o setor privado, quanto para a sociedade civil, porque a bioeconomia precisa, necessariamente, envolver as comunidades.” 

O debate em Belém mostrou que a bioeconomia começa a ganhar estruturas de financiamento que exigirão propostas bem desenhadas, com componente territorial e conexão com comunidades.


Adaptação recebeu um avanço prático: indicadores e metas de financiamento

Convidado para o Bate-papo, Ronan Max Prochnow, Gerente de Sustentabilidade e ESG na CTG Brasil, conta que pela primeira vez a COP consolidou um conjunto de indicadores de adaptação. São pelo menos 59 indicadores cobrindo temas como água, agricultura e saúde, sem contar o destaque para a urgência de expandir o financiamento de adaptação, propondo, inclusive, a triplicação dos recursos até 2035. Essas decisões influenciarão políticas públicas e exigências de reporte, incluindo convergência com normas como IFRS. Empresas devem acompanhar como esses indicadores evoluirão para avaliar impactos e obrigações de disclosure.


Financiamento climático e novas janelas de oportunidade

Gabriel Chaves ressaltou que a sustentabilidade hoje não é só “mais custo”: as agendas de clima estão abrindo linhas de financiamento (green bonds, empréstimos sustentáveis, blended finance) que podem ser competitivas para projetos estratégicos, por exemplo, projetos de bioeconomia integrados a cadeias locais. Estar pronto para acessar esses instrumentos passa por demonstrar governança, impactos mensuráveis e relacionamento com comunidades.


Transição energética justa como nova norma

A COP30 consolidou o termo “transição energética justa” como central nas discussões, ou seja, a transição não é só técnica, mas também social, econômica e territorial. 


“Eu acho que a COP, inclusive, [...] aqui no Brasil, foi o momento decisório de incluir o justo atrás do termo transição energética.” - Ronan Max Prochnow

Isso implica que projetos energéticos precisam incorporar medidas de inclusão, capacitação e geração de renda para territórios impactados. Para empresas do setor energético, isso significa que os projetos públicos/privados com componente social robusto tendem a ter maior aceitação e valor agregado. 



Recomendações práticas para empresas 

  • Revisar metas com base científica: atualizar metas de emissões e trajetórias para serem coerentes com exigências e expectativas de stakeholders. 

  • Mapear materialidade climatológica e de biodiversidade: identificar riscos e oportunidades na cadeia de valor (incluindo como a bioeconomia pode gerar novos produtos/serviços). 

  • Estruturar governança corporativa integrada: não deixar o tema apenas em um departamento; envolver financeiro, produção e diretoria para viabilizar projetos e acessar financiamento. 

  • Preparar projetos para blended finance e mecanismos públicos: alinhar propostas (impacto social, ambiental e viabilidade financeira) para concorrer a instrumentos como EcoInvest. 

  • Antecipar disclosures de adaptação e IFRS: começar a coletar métricas relevantes aos indicadores de adaptação que sairão da COP e considerar impactos nos relatórios de sustentabilidade e contábeis.


Cultura e narrativa: o fator “mutirão”

Como Giovanna Cappellano, Gerente de ESG e Assuntos Estratégicos na Concepta Ingredients, enfatiza, o espírito de “mutirão”, a ideia de trabalho coletivo que atravessa governos, empresas e sociedade civil, foi muito forte nessa edição da Conferência. Para organizações, isso reforça a necessidade de alianças (setoriais e territoriais) e de transformar participação em legado: relatar aprendizados pós-COP e transformá-los em projetos replicáveis.


A COP30 deixou decisões e instrumentos que mudam o jogo para empresas brasileiras: da operacionalização de projetos em bioeconomia às exigências de adaptação e governança. O momento é de oportunidade, mas também de responsabilidade. Empresas que se prepararem com metas científicas, governança integrada e projetos bem desenhados para acessar novas janelas de financiamento estarão melhor posicionadas no novo ciclo internacional.



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O momento é de oportunidade. O legado é de responsabilidade.

 
 
 
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