Bioeconomia: uma fronteira estratégica para o setor privado | Estratégia no Radar #1
- GSS

- há 24 horas
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A GSS lançou a série de webinars "Estratégia no Radar" para debater oportunidades de longo prazo para o setor corporativo, e o tema de estreia foi a Bioeconomia. Com a mediação de Bernardo Szvarça (GSS) e a participação especial de Luana Maia, Diretora da NatureFinance no Brasil, o encontro desmistificou o tema, mostrando que investimento em Bioeconomia gera resiliência climática e de natureza significa, na prática, resiliência financeira para as empresas. O evento cobriu o pioneirismo do Brasil na agenda do G20, o papel central das comunidades locais e as tendências regulatórias globais, como a TNFD, alertando que o setor privado deve se preparar para liderar e lucrar com uma economia regenerativa e justa.
A urgência de olhar para o longo prazo
O setor privado não pode mais focar apenas em agendas de momento. É preciso estruturar projetos que gerem oportunidades de longo prazo. Com essa premissa, o primeiro episódio da série Estratégia no Radar abordou o crescente destaque da bioeconomia nos cenários nacional e internacional. A convidada Luana Maia, que atua na intersecção entre finanças e natureza, ajudou a traduzir os desafios e as enormes janelas de oportunidades dessa nova economia.
O que é bioeconomia na prática?
Conforme Luana apresentou, a palavra "economia" deriva do termo grego oicos, que significa a administração da nossa casa. A bioeconomia pode ser exatamente isso: organizar o uso dos recursos biológicos renováveis do nosso planeta de uma forma sustentável e regenerativa, gerando impactos positivos para o clima, para a natureza e para as pessoas.
Atualmente, mais de 60 países já possuem estratégias nesse sentido. Ela se manifesta de múltiplas formas no território, desde a produção de energia e etanol a partir da cana-de-açúcar, até os biofármacos, sistemas agroflorestais e proteínas vegetais de alta tecnologia.
O Brasil no "assento do motorista": sociobioeconomia e o G20
Durante a presidência do G20 em 2024, o Brasil introduziu pela primeira vez a agenda de natureza e bioeconomia no bloco, que representa 80% do PIB e das emissões globais. A grande inovação brasileira foi levar o conceito de sociobioeconomia para o mundo: um modelo que reconhece os saberes tradicionais dos povos indígenas e comunidades tradicionais, busca a distribuição equitativa dos recursos e trabalha diretamente com as comunidades locais.
Como ressaltou Luana Maia, essas comunidades precisam ser remuneradas de forma justa e participar ativamente das tomadas de decisão, sentando no "banco do motorista", e não apenas sendo consultadas ao final do processo. Além disso, para que os produtos da sociobioeconomia cheguem ao mercado de forma competitiva, é essencial que os governos invistam em infraestrutura básica, como energia e saneamento, nos territórios.
Resiliência de natureza é resiliência financeira
Para que a bioeconomia ganhe escala, o setor privado precisa comprovar que ela é uma estratégia de investimento lucrativa e viável, o que também depende de melhores marcos regulatórios e incentivos fiscais para competir com a indústria fóssil.
No entanto, a inação custa muito caro. Uma quebra de safra gerada por choques climáticos afeta diretamente a cadeia de suprimentos global. Em contrapartida, empresas que adaptam suas cadeias produtivas ganham resiliência financeira. Modelos regenerativos não são apenas iniciativas sustentáveis; são estratégias de sobrevivência para garantir a longevidade dos negócios. O investimento em uma bioeconomia pautada no uso sustentável dos recursos biológicos, no respeito às comunidades envolvidas é uma decisão de futuro.
O papel das COPs e o Bioeconomy Challenge
Muitas empresas questionam a relevância de participar das COPs. A resposta é clara: quem será mais impactado pelas negociações multilaterais sobre o clima e a natureza é o setor privado.
Nesse contexto, o lançamento do Bioeconomy Challenge (Desafio da Bioeconomia) durante a jornada rumo à COP30 no Brasil é um marco. Coordenada por diversos atores globais, a iniciativa busca transformar os princípios do G20 em ações práticas, estruturadas em quatro pilares:
Desenvolvimento de mercados e regras equitativas.
Criação de instrumentos financeiros com garantias adequadas ao "tempo da natureza".
Definição de métricas para contabilizar avaliar os impactos.
Engajamento real e justo com a sociobioeconomia, respeitando as pessoas.
O próximo passo
Temos uma janela de oportunidades relativamente pequena, pois as próprias atividades da bioeconomia são impactadas pelas mudanças climáticas e perda de biodiversidade. O Brasil tem todas as condições para ser o líder global desse movimento.
Agradecemos a Luana Maia por essa verdadeira aula e a todos que nos acompanharam. Convidamos você a assistir à gravação completa clicando no link abaixo e a ficar atento às redes da GSS para não perder o próximo episódio do Estratégia no Radar, onde continuaremos desbravando as tendências essenciais para o setor privado.



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