COP31: o que está em jogo na conferência do clima em Antalya


De 9 a 20 de novembro de 2026, Antalya, na Turquia, recebe a COP31, a 31ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC). Depois da COP30, em Belém, a conferência chega em um momento decisivo para transformar compromissos do Acordo de Paris em implementação, financiamento e resultados concretos.
A COP31 é a primeira conferência com as funções da presidência divididas entre dois países. Pelas modalidades acordadas em novembro de 2025, a Turquia sedia o evento, indica o presidente da COP31 e responde pela Agenda de Ação. A Austrália exerce a função de Presidente de Negociações, com autoridade sobre as negociações, incluindo a condução da agenda negociadora e a elaboração das minutas de texto. Em caso de divergência, os dois países se consultam até chegar a um entendimento.
Para as empresas, isso significa acompanhar mais do que as negociações diplomáticas. Financiamento climático, metas de redução de emissões, mercados de carbono, adaptação e transição energética podem influenciar diretamente estratégias corporativas, gestão de riscos, investimentos e cadeias de valor. Entender o que está em jogo em Antalya é também antecipar mudanças que podem chegar ao ambiente regulatório e aos negócios no Brasil.
O que está em discussão
A agenda da COP31 deve avançar em diferentes frentes relacionadas à implementação do Acordo de Paris. Entre os principais temas estão:
Balanço Global (Global Stocktake): acompanhamento do progresso coletivo em relação às metas do Acordo de Paris e dos esforços necessários para manter o aquecimento global limitado a 1,5°C.
Novos planos climáticos nacionais (NDCs 3.0): implementação e fortalecimento das metas climáticas atualizadas pelos países, incluindo os caminhos para transformar essas metas em políticas e investimentos.
Financiamento climático: avanço na implementação do novo objetivo coletivo de financiamento climático e discussão sobre como ampliar e direcionar recursos para países em desenvolvimento.
Mercado de carbono internacional: continuidade da implementação das regras do Artigo 6 do Acordo de Paris, que estabelece mecanismos de cooperação entre países e o uso de créditos de carbono.
Adaptação, perdas e danos e transição energética: avanço das medidas de adaptação e apoio às regiões mais vulneráveis, além da continuidade das discussões sobre a transição dos sistemas energéticos.
A presidência da COP31 também definiu prioridades para a agenda de ação, incluindo: resíduo zero e redução de metano, energia limpa e eletrificação, segurança alimentar e agricultura sustentável, industrialização verde, oceanos e mares, cidades resilientes, engajamento da juventude, sistemas de saúde resilientes, sinergias entre mudança do clima, biodiversidade e degradação da terra, e apoio à implementação das NDCs.
Por que a COP31 interessa às empresas
As decisões tomadas em Antalya podem repercutir diretamente sobre riscos, investimentos e estratégias empresariais. A evolução dos mercados de carbono, os critérios de financiamento climático, as exigências relacionadas à transparência de emissões e a pressão por metas climáticas mais ambiciosas já influenciam empresas e cadeias de valor no Brasil e no mundo.
Para as empresas, acompanhar a COP31 significa entender como essas mudanças podem afetar seu setor e antecipar oportunidades e riscos. A implementação das NDCs, por exemplo, depende de políticas públicas, investimentos e participação do setor privado, aproximando cada vez mais a agenda climática das decisões corporativas. A própria UNFCCC destaca a participação de empresas e outros atores na implementação dos planos climáticos.
A GSS acompanha a evolução dessas agendas e apoia empresas na tradução das políticas e de eventos climáticos extremos em decisões estratégicas, desde o MRV até estratégias de descarbonização, adaptação e posicionamento diante das transformações do mercado.
Da COP30 à COP31: o desafio da implementação
A COP31 parte dos avanços construídos em Belém e coloca a implementação no centro da agenda. O processo Belém Mission to 1.5, por exemplo, busca acelerar a implementação das NDCs e dos planos nacionais de adaptação, além de ampliar a cooperação internacional e os investimentos necessários para colocar esses compromissos em prática.
Para o setor empresarial, a pergunta deixa de ser apenas o que será decidido na COP31 e passa a ser como essas decisões chegarão aos negócios.
A GSS acompanhará a COP31 em Antalya para compartilhar os principais debates, decisões e tendências que podem impactar empresas e mercados no Brasil.



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