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Primeira carta COP31

  • Foto do escritor: GSS
    GSS
  • há 5 dias
  • 3 min de leitura

A presidência turca da COP31 lançou a primeira carta de preparação para a convenção, que será realizada em Antália, de 9 a 20 de novembro de 2026. Essas cartas, tradicionais no processo das COPs, têm como objetivo apresentar prioridades e indicar como o país-sede pretende conduzir as negociações e os principais temas em debate.


Neste ano, porém, o processo traz uma novidade. Após um impasse entre Austrália e Turquia sobre qual país sediaria a COP31, definiu-se, com apoio dos esforços da diplomacia brasileira, que a conferência ocorrerá na Turquia, sob presidência turca, mas com a Austrália liderando as negociações. É a primeira vez que esse arranjo ocorre no processo das COPs do clima.


Embora esse modelo possa trazer o risco de um processo mais lento ou de expor divergências entre os dois países, ele também pode se mostrar útil ao combinar tradições diplomáticas distintas e diferentes alianças geopolíticas, agregando e aproximando grupos diversos de países. Essa intenção aparece de forma clara nos três princípios destacados na carta: diálogo, consenso e ação.


A Turquia também apresentou as áreas temáticas que irão orientar sua Climate Action Agenda:

  • fortalecer a abordagem de resíduos zero e economia circular;

  • acelerar a transição para o uso de energia limpa;

  • apoiar a industrialização sustentável e de baixo carbono;

  • aumentar a resiliência de regiões, oceanos e mares vulneráveis;

  • apoiar a segurança alimentar e desenvolver sistemas agrícolas sustentáveis;

  • promover cidades resilientes ao clima e sustentáveis;

  • fortalecer mecanismos financeiros e institucionais de apoio à ação climática;

  • ampliar a participação ativa dos jovens;

  • promover uma ação intersetorial capaz de enfrentar, de forma conjunta, as mudanças climáticas, a perda de biodiversidade e a degradação do solo.


Entre esses temas, destaca-se a continuidade e o fortalecimento da agenda de circularidade, que abrange todos os elos da indústria e pode impulsionar uma transição capaz de gerar emprego e renda. O foco na transição para energia limpa, ainda que sem menção explícita à eliminação do uso de combustíveis fósseis, indica que essa agenda se consolidou e que os investimentos em energia limpa seguem não apenas como tendência, mas como diretriz estrutural.


Também ganham força temas como o aumento da resiliência de regiões mais vulneráveis e a necessidade de garantir a segurança alimentar, que pode ser pressionada por tensões geopolíticas com efeitos sobre o mercado global de fertilizantes. As cidades, onde vive a maior parte da população mundial, seguem no centro das discussões sobre adaptação climática, especialmente no que se refere à proteção da vida cotidiana das pessoas. Nesse contexto, a participação da juventude permanece essencial.


Por fim, consolida-se a necessidade de maior aproximação entre a agenda climática, a agenda de biodiversidade e a agenda do solo. Esse processo, que vem se intensificando nos últimos anos, conecta-se diretamente ao foco recente em bioeconomia e à proteção da biodiversidade. A temática do financiamento também ganha destaque, ao reforçar a necessidade de governos e setor privado atuarem conjuntamente para viabilizar processos de adaptação e mitigação.


A Turquia, historicamente posicionada como ponte entre Oriente e Ocidente e herdeira de uma tradição diplomática marcada pela mediação e pela busca de soluções pacíficas para conflitos, reúne condições relevantes para desenvolver uma COP orientada por ação e consenso. Resta observar, nos próximos meses, de que forma se dará, com mais detalhes, a integração com o setor privado e a sociedade civil para o alcance desses objetivos, uma vez que já não há dúvidas de que as ações estatais, isoladamente, não são suficientes para enfrentar a crise climática.


Diferentemente da COP realizada em Belém, a comunidade internacional se reunirá em um famoso balneário do Mediterrâneo, onde os desafios de alojamento e transporte tendem a não se repetir na mesma intensidade. Ainda assim, permanece em aberto a forma como a presidência irá incorporar, de maneira mais efetiva, a participação de comunidades locais, tradicionais e povos indígenas, ainda pouco mencionados nas sinalizações iniciais.


Ao mesmo tempo, à medida que as COPs se consolidam como espaços centrais para a definição de diretrizes regulatórias, financeiras e reputacionais com impacto direto sobre empresas e cadeias produtivas, acompanhar esse processo de forma estratégica torna-se cada vez mais relevante. 


Nesse contexto, a GSS está preparada para apoiar o setor privado na leitura qualificada das negociações, na identificação de riscos e oportunidades e na construção de estratégias de posicionamento e integração às discussões que moldam a agenda climática internacional.

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