COP17: os destaques da primeira semana em Yerevan


A primeira semana de negociações da COP17 chegou ao fim em Yerevan. A equipe da GSS acompanhou os debates e reuniu aqui o que mais importa para quem toma decisões de negócio.
O clima das negociações
A presidência busca um resultado geral, chamado “Yerevan Pathway” (Caminho de Yerevan), para identificar lacunas de implementação e definir prioridades de progresso mensurável nos próximos dois anos. A conferência também teve a primeira Cúpula de Líderes da história da Convenção sobre Diversidade Biológica. Os temas mais sensíveis, como mobilização de recursos e mecanismo financeiro, seguiram diretamente para grupos de contato fechados.
Dinheiro: o Fundo Cali ainda está no começo
O Fundo Cali foi criado para que empresas que usam informação de sequenciamento digital (DSI) compartilhem benefícios com a conservação. No início da COP17, o fundo tinha US$10.656 em compromissos, dos quais US$7.085 já haviam sido depositados. Os compromissos vieram de cinco empresas, e duas das contribuições ainda eram promessas. A ambição do fundo é arrecadar US$1 bilhão por ano.
Um porta-voz do fundo disse que instrumentos semelhantes costumam levar de dois a três anos para ganhar escala. Em Yerevan, os governos discutem quais empresas devem contribuir, como calcular essas contribuições e como distribuir o dinheiro entre países em desenvolvimento e comunidades locais. Para biotecnologia, farmacêutica, cosméticos e agro, esse é o ponto mais importante a observar.
Negócios e natureza: o que o Business & Biodiversity Forum mostrou
O fórum reuniu executivos, bancos de desenvolvimento e especialistas. Quatro ideias se destacaram.
1. Natureza como infraestrutura produtiva. Soluções baseadas na natureza foram apresentadas como ativos que melhoram o desempenho e reduzem riscos. Um exemplo é o reflorestamento ao longo de rodovias, que ajuda a diminuir danos de inundações. Projetos que incluem a natureza desde o desenho evitam retrabalho e custos.
2. O gargalo está nos projetos prontos. Há muita demanda de investidores, mas faltam projetos estruturados para receber o capital. Pequenas empresas e produtores rurais têm mais dificuldade de acessar crédito e assistência técnica. Os bancos de desenvolvimento têm papel importante na criação de modelos.
3. Proteção em escala de paisagem. Um caso apresentado no Brasil reúne reservas coordenadas com autoridades públicas e protege cerca de 800 mil hectares na Amazônia e 23 mil no Sudeste. A lição é que reservas isoladas falham quando ficam cercadas por desmatamento, porque as comunidades não têm outra fonte de renda. Por isso, a conservação precisa integrar cadeias de valor locais. Também chamou atenção a colaboração entre concorrentes em ações territoriais.
4. Economia circular em embalagens de alimentos. Mais de um terço dos alimentos produzidos no mundo não é consumido. Embalagens que ampliam a vida útil reduzem a pressão sobre a terra. Um dos executivos citou investimento anual acima de 100 milhões de euros no redesenho de embalagens e no uso de fibras e plásticos renováveis.
Um recado atravessou todos os painéis. Para convencer CFOs e investidores, a conservação precisa ser traduzida para a linguagem de negócios: risco, desempenho e valor econômico.
Divulgação: natureza entra no relatório financeiro
Em 22 de outubro, o ISSB abriu consulta pública sobre suas propostas de divulgações relacionadas à natureza, com prazo até 19 de fevereiro de 2027. A proposta vem em formato de Practice Statement e se baseia amplamente no trabalho do TNFD. O desenho busca evitar relatórios isolados, conectando riscos e oportunidades de natureza com os de clima. Para empresas que já reportam clima, o recado é claro: olhar para clima e biodiversidade de forma integrada. A consulta também está aberta para que as empresas participem.
Créditos de biodiversidade: a base técnica
A CNI lançou, na sexta-feira (22), um levantamento inédito que identifica mais de 60 iniciativas, nacionais e internacionais, dedicadas a créditos de biodiversidade. A GSS atuou como consultoria técnica na pesquisa e acompanhou o painel realizado durante a programação. Os debates reforçaram que o amadurecimento desse mercado depende de dados técnicos consistentes.
O que esperar da segunda semana
Quatro pontos devem concentrar as atenções:
o resultado da primeira Revisão Global e o “Yerevan Pathway”;
a mobilização de recursos e o mecanismo financeiro;
as regras de contribuição do Fundo Cali e a relação entre DSI e as obrigações de repartição de benefícios já existentes;
a participação de povos indígenas e comunidades locais nas decisões sobre seus territórios.
Como a GSS pode ajudar
A GSS apoia empresas a transformar esse cenário em plano de ação. Isso inclui o diagnóstico de dependências e impactos sobre a natureza com base no TNFD, a adequação às regras de acesso e repartição de benefícios (ABS) e de DSI, e a estruturação de projetos e créditos de biodiversidade. Se sua empresa quer entender o que muda, ficamos à disposição para conversar.
Seguimos acompanhando a COP17 para compartilhar as decisões mais importantes da segunda semana.



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