Capital natural, competitividade e transformação | Estratégia no Radar #2
- GSS

- há 23 horas
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Na última segunda-feira, 25, foi realizado o segundo webinar da série “Estratégia no Radar”, promovida pela GSS. O encontro reuniu Francine Leal, diretora executiva da GSS, Mirela Sandrini, diretora executiva do WRI Brasil, e Bernardo Szvarça, líder de governança e engajamento da GSS, que mediou a conversa. O tema desta edição foi capital natural, competitividade e transformação, com foco em como lideranças empresariais estão internalizando os desafios do clima, da natureza e da sociedade na estratégia global.
A discussão partiu de uma constatação central: biodiversidade, natureza e clima deixaram de ser vistos apenas como pautas de sustentabilidade ou reputação. Hoje, eles são variáveis econômicas e estratégicas que influenciam diretamente a competitividade das empresas, o acesso a capital, a relação com investidores e a resiliência dos negócios.
Quando a natureza entra na conta, o custo da omissão fica evidente
Mais do que perguntar quanto custa preservar, as empresas precisam começar a se perguntar quanto custa não considerar a natureza nas decisões econômicas. Essa lógica já aparece na prática por meio de exigências de crédito, seguros, cadeias produtivas e padrões de reporte cada vez mais rigorosos.
A natureza, portanto, não é mais uma pauta de segundo plano. Ela passou a integrar a infraestrutura real que sustenta a atividade econômica. Ignorar esse movimento significa expor os negócios a riscos que vão muito além da operação imediata.
Impacto e dependência não são a mesma coisa
Ao longo da conversa, Francine Leal chamou atenção para uma diferença que ainda passa despercebida em muitas empresas: o impacto causado pela atividade econômica é facilmente reconhecido, mas a dependência da natureza, nem tanto.
Muitas organizações conseguem identificar, por exemplo, que desmatam, ocupam território ou alteram paisagens. O que ainda é mais difícil de perceber é que sua própria existência depende de recursos naturais, serviços ecossistêmicos e da estabilidade climática. Em outras palavras, a natureza não é só aquilo que a empresa afeta. Ela é também aquilo de que a empresa depende para operar, crescer e se manter competitiva.
Essa mudança de percepção é essencial para que decisões estratégicas deixem de ser apenas reativas e passem a considerar os fundamentos que sustentam a economia real.
A dimensão social é parte da conservação
Outro aspecto debatido foi a relação entre natureza e justiça social. Francine reforçou que não existe conservação de longo prazo sem a participação ativa de comunidades locais e povos originários, que historicamente desempenham papel central no manejo e na domesticação da natureza.
A ideia de preservar a floresta como algo isolado, protegida em uma espécie de redoma, é insuficiente e desconectada da realidade. Para que a conservação aconteça de fato, é preciso garantir geração de renda, sustento e protagonismo para quem vive e cuida desses territórios. Natureza e sociedade, nesse sentido, não são agendas separadas. Elas fazem parte do mesmo sistema.
Esse olhar ganha ainda mais força com a chegada de novos marcos de reporte e análise, como o TNFD, voltado à natureza, e o TISFD, focado em aspectos sociais e desigualdades. Ambos refletem a necessidade de decisões mais completas, que considerem riscos ambientais e sociais de forma integrada.
Bioeconomia como fator de desenvolvimento
A conversa também destacou a bioeconomia como uma das grandes oportunidades para o Brasil. Mirela Sandrini citou o estudo “Nova Economia da Amazônia”, do WRI, que mostra que a transição para uma economia de baixo carbono e sem desmatamento pode gerar crescimento econômico, renda e emprego em larga escala.
Nesse cenário, a floresta em pé deixa de ser vista apenas como patrimônio ambiental e passa a ser entendida como ativo estratégico para o desenvolvimento. O país tem condições únicas para avançar nessa agenda, especialmente se conseguir transformar biodiversidade em valor econômico de forma inteligente, inclusiva e sustentável.
Outro exemplo importante mencionado foi o potencial dos bioinsumos agrícolas. Hoje, o Brasil ainda depende fortemente da importação de insumos químicos e fertilizantes, o que revela uma vulnerabilidade estrutural. Expandir soluções baseadas em biodiversidade e tecnologia nacional pode reduzir essa dependência, ao mesmo tempo em que fortalece a produtividade e a inovação no campo.
Por onde as empresas devem começar
Para as organizações que desejam avançar nessa agenda, o primeiro passo não é construir uma política genérica, mas sim realizar um diagnóstico real de sua relação com a natureza. Antes de assumir compromissos públicos, é preciso entender onde estão os riscos, as dependências, os impactos e as oportunidades.
Esse movimento exige olhar para dentro, revisar processos já existentes e reorganizar informações de forma estratégica. A agenda de biodiversidade não começa com uma formulação pronta, mas com clareza sobre o que a empresa faz, como faz e quais efeitos produz no território, nas cadeias e nas comunidades com as quais se relaciona.
Uma janela de decisão para o Brasil
Fica evidente que o Brasil vive um momento decisivo. Segundo Mirela, o país tem uma janela de cerca de dois a três anos para definir seu modelo de desenvolvimento e seu posicionamento no cenário global. Essa escolha passa diretamente pela capacidade de alinhar segurança climática, energética e alimentar com proteção ambiental e qualidade de vida.
Mais do que uma pauta ambiental, o debate sobre capital natural é um debate sobre futuro econômico. Para empresas, governos e instituições, a mensagem é clara: incorporar natureza, clima e sociedade à estratégia deixou de ser uma opção de posicionamento. É uma condição para permanecer relevante em um mundo em transformação. Agradecemos à Mirela Sandrini e à Francine Leal pela participação neste episódio e pelas contribuições que enriqueceram a discussão sobre capital natural, competitividade e transformação.
Nosso agradecimento se estende a todas as pessoas que participaram do webinar, seja acompanhando a transmissão ou compartilhando perguntas e reflexões durante o debate. Caso o conteúdo tenha despertado dúvidas ou você queira continuar essa conversa, fique à vontade para entrar em contato com a GSS.
A série “Estratégia no Radar” continua em breve com um novo episódio. Para acompanhar os próximos encontros e conteúdos, siga a GSS em nossas redes sociais: Instagram e LinkedIn.
Assista ao episódio na íntegra aqui:
Não assistiu o primeiro episódio? Você pode encontrá-lo aqui:WEBINAR | ESTRATÉGIA NO RADAR #1 - Bioeconomia como oportunidade estratégica para o setor privado



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