Projetos de carbono: sua empresa pode gerar créditos?
- Diego Flaresso de Oliveira

- há 9 horas
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Nos últimos anos, o mercado de carbono passou a despertar o interesse de muitas empresas que buscam alinhar suas operações com estratégias de descarbonização. Ainda assim, uma das perguntas mais comuns que recebemos é bastante direta: “Minha atividade pode gerar créditos de carbono?”
Apesar de parecer uma pergunta simples, a resposta a ela raramente é imediata. O mercado de carbono, além de tecnicamente complexo, também é bastante volátil em seus mecanismos, regras e critérios. Isso torna desafiador para novas empresas compreenderem como participar desse mercado e quais condições realmente permitem transformar uma atividade de descarbonização em um projeto de carbono elegível.
Para responder essa pergunta, é preciso entender primeiro como esse mercado funciona na prática.
O mercado de carbono não é um mercado comum
Existe também um aspecto curioso nesse mercado. Diferentemente da maioria dos mercados internacionais, em que o objetivo central é o retorno financeiro, o mercado de carbono foi criado principalmente como um instrumento de incentivo. Seu propósito é estimular atividades que reduzam emissões de gases de efeito estufa, ajudando a viabilizar iniciativas de descarbonização que talvez não fossem implementadas sem esse estímulo adicional.
É comum que empresas inicialmente enxerguem os créditos de carbono como uma espécie de financiamento para seus projetos. E, em certa medida, existem algumas semelhanças com instrumentos tradicionais de financiamento, como um project finance. Para estruturar um projeto de carbono também será necessário apresentar informações detalhadas sobre a empresa, sobre sua atividade e sobre a forma como essa atividade reduz emissões. Nem todas as iniciativas que descarbonizam, entretanto, conseguem atender aos critérios exigidos pelos padrões internacionais de certificação.
Como o retorno financeiro realmente acontece
A principal diferença em relação a um financiamento tradicional está na lógica do fluxo financeiro. Em um financiamento, a empresa normalmente recebe o recurso antecipadamente e depois realiza o pagamento ao longo do tempo. No mercado de carbono ocorre o oposto. Primeiro é necessário implementar a atividade de descarbonização, realizar os investimentos e operar o projeto. Somente depois, mediante monitoramento e verificação das reduções de emissões, são emitidos os créditos de carbono que poderão ser vendidos.
Nesse momento, o desenvolvedor não recebe dinheiro, mas sim créditos de carbono. Esses créditos poderão então ser comercializados no mercado, e apenas nesse estágio é que o projeto passa a gerar retorno financeiro.
Compreender essa dinâmica é essencial para alinhar expectativas. Na prática, desenvolver um projeto de carbono se assemelha muito mais a empreender em um novo mercado do que a obter financiamento. Mesmo quando uma atividade gera benefícios climáticos claros, transformar essa redução de emissões em créditos certificados exige investimento antecipado, conhecimento técnico e um processo estruturado de validação e verificação.
Outro ponto fundamental é o momento em que o projeto é estruturado. Como os créditos de carbono existem para incentivar atividades de descarbonização, e não para premiar algo que já ocorreu, os padrões internacionais exigem que o projeto seja concebido antes ou muito próximo do início da operação da atividade.
O que torna um projeto elegível
De forma geral, muitos padrões estabelecem um prazo de aproximadamente um ano após o início da operação para que o projeto de carbono seja formalmente submetido. Essa submissão normalmente envolve a elaboração de um documento técnico que descreve a atividade, apresenta os cálculos metodológicos de redução de emissões e demonstra a chamada adicionalidade do projeto. Caso uma atividade já esteja operando há mais tempo, entende-se que ela conseguiu se viabilizar economicamente sem depender do incentivo dos créditos de carbono, o que tende a torná-la inelegível dentro das regras desses programas.
Da ideia para um projeto estruturado
Entender esse raciocínio é provavelmente o ponto mais importante para empresas que consideram desenvolver projetos de carbono. Uma vez confirmado que a atividade possui potencial de elegibilidade, outros aspectos técnicos passam a ser avaliados, como a metodologia aplicável, o padrão de certificação mais adequado, os critérios específicos de cada standard e a melhor estratégia para estruturação do projeto.
Essas definições fazem parte da etapa técnica de desenvolvimento e normalmente contam com o apoio de consultorias especializadas, cujo papel é analisar a atividade de descarbonização e identificar a melhor forma de estruturar um projeto viável dentro das regras do mercado de carbono. É nesse momento que você e sua empresa podem contar com a GSS. Contamos com mais de 16 anos de expertise e um time de especialistas para te auxiliar em todo o processo de um Projeto de Carbono pensado com e para você. Entre em contato com a nossa equipe clicando aqui.
Uma estratégia de longo prazo
Mais do que uma oportunidade financeira, o desenvolvimento de projetos de carbono representa um caminho estruturado para transformar iniciativas de descarbonização em ativos ambientais reconhecidos internacionalmente. Para empresas que compreendem essa lógica desde o início, o mercado de carbono deixa de ser apenas um conceito complexo e passa a se tornar uma ferramenta estratégica na transição para uma economia de baixo carbono.
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Especialista de TbS e Mudanças Climáticas



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